Always Ready x Mirassol: Conmebol tira jogo da Bolívia
Conmebol transferiu o duelo do Grupo G da Libertadores da altitude boliviana para o Paraguai. Entenda os bastidores, o impacto tático e o que muda para o Mirassol.

Always Ready x Mirassol: Conmebol tira o jogo da Bolívia e muda para o Paraguai
A Conmebol tomou uma decisão que sacudiu os bastidores do Grupo G da Libertadores 2026: o duelo entre Always Ready e Mirassol, válido pela 5ª rodada da fase de grupos e previsto para 20 de maio de 2026, foi retirado da Bolívia e transferido para o Paraguai. O jogo, que seria disputado no icônico — e temido — Estádio Municipal de El Alto, vai acontecer fora do território boliviano.
Para o Mirassol, a notícia chega no melhor momento possível. O Leão do Interior lidera o Grupo G com nove pontos e perderia, na altitude, uma das armas mais poderosas do futebol boliviano.
O peso da altitude: entenda por que a mudança importa
Não é exagero dizer que o Estádio Municipal de El Alto é um dos palcos mais hostis do futebol sul-americano. Localizado a 4.090 metros acima do nível do mar, o estádio do Always Ready é, literalmente, o mais alto do mundo entre as praças utilizadas em competições da Conmebol.
Jogar naquele ambiente impõe aos visitantes uma série de desafios fisiológicos: menor concentração de oxigênio, fadiga muscular precoce, recuperação mais lenta entre sprints. Times acostumados ao futebol no nível do mar — como o Mirassol, de São Paulo — chegam sempre em desvantagem.
A altitude é, de fato, a principal arma do Always Ready. O clube boliviano acumula um histórico desfavorável longe de suas fronteiras: em 18 jogos como visitante em competições oficiais, nunca venceu uma partida sequer, somando apenas cinco empates e 13 derrotas. Quando perde a altitude, perde também seu maior trunfo.
Com o jogo transferido para território paraguaio — em nível do mar —, o tabuleiro tático muda completamente. O Mirassol entra em campo sem o peso da adaptação. O Always Ready, por sua vez, enfrenta a pressão de jogar longe de casa, sem o fator ambiental que historicamente equilibra seus confrontos continentais.
O retrospecto recente: Mirassol dominou o primeiro duelo
O encontro de 29 de abril de 2026, pela 3ª rodada, já havia deixado claro o desequilíbrio entre as equipes em condições neutras. Jogando no Estádio José Maria de Campos Maia (o Maião), o Mirassol venceu por 2 a 0, com gols de Eduardo (10') e Alesson (80'), mesmo jogando com um a menos após a expulsão do zagueiro João Victor aos 29 minutos do segundo tempo.
A escalação confirmada naquele jogo deu pistas claras sobre o sistema de Rafael Guanaes: Walter; Igor Formiga, João Victor, Willian Machado e Reinaldo; Neto Moura, Denilson e Shaylon; Carlos Eduardo, Alesson e André Luís. Um 4-2-3-1 com saída de bola organizada, pressão alta no campo adversário e velocidade nas transições.
Do lado boliviano, a escalação confirmada foi: Baroja; Hurtado, Richet Gómez, Alex Rambal, Marcelo Suarez; Héctor Cuéllar, Fernando Saucedo, Rai Lima; Joel Amoroso, Jesús Maraude e Enrique Triverio. O time de Julio César Baldivieso apostou num bloco baixo fora de casa, mas não conseguiu segurar o Leão.
Leitura tática: o que muda com a sede no Paraguai
O Mirassol e o sistema de três zagueiros
Rafael Guanaes construiu ao longo de 2026 um modelo híbrido: sai do 4-2-3-1 quando está com a posse e recua para uma linha de cinco quando não tem a bola. A ideia é ter largura no ataque — com os laterais subindo — e solidez defensiva nas transições.
A pressão alta é marca registrada. Guanaes, formado em Educação Física nos Estados Unidos e com filosofia de jogo baseada em posse e intensidade, exige que seus jogadores pressionem a saída de bola adversária no próprio campo do adversário. Isso consome energia — exatamente o recurso que a altitude boliviana costumava comprometer.
Com o jogo em solo neutro, o Mirassol pode aplicar sua pressão em plena capacidade física. Para o Always Ready, essa é uma má notícia: o time boliviano tem dificuldade em construir jogadas quando é pressionado fora de seu campo.
O Always Ready sem altitude: uma equipe diferente
Julio César Baldivieso, ex-jogador com 85 partidas pela seleção boliviana e campeão da Liga Profissional de 2025 com o clube, montou um time que funciona como uma fortaleza em El Alto. Fora de lá, porém, a história muda.
O bloco defensivo se sustenta menos. A intensidade física cai. E a frente de ataque — liderada por Enrique Triverio — perde mobilidade sem o apoio da pressão territorial que a altitude cria nos adversários.
No jogo disputado no Maião, o Always Ready gerou volume de chutes, mas sem efetividade. Ao longo das primeiras rodadas da Libertadores 2026, o clube boliviano não marcou um único gol na fase de grupos.
O momento do Mirassol: líder com história sendo escrita
A campanha do Mirassol no Grupo G já é histórica. O clube do interior de São Paulo — cidade com pouco mais de 70 mil habitantes — disputa sua primeira Copa Libertadores da América e lidera a chave com 9 pontos após quatro rodadas, após bater a própria LDU por 2 a 0 em 7 de maio de 2026, no Maião.
A estreia histórica no torneio rendeu ao técnico Rafael Guanaes reconhecimento continental. Formado em 2025 como melhor treinador do Brasileirão pelo Troféu Telê Santana, ele ajustou o clube para a Libertadores com mudanças táticas importantes — incluindo a adoção parcial do sistema com três zagueiros — e transformou o Maião em fortaleza.
O contraste com o desempenho no Brasileirão 2026 é notável: no torneio nacional, o time enfrenta dificuldades e briga para sair da zona inferior da tabela. Na Libertadores, corre mais, pressiona mais e decide nos momentos certos.
A tabela antes da 5ª rodada
Com nove pontos, o Mirassol lidera o Grupo G. Uma vitória sobre o Always Ready no Paraguai praticamente garante a classificação às oitavas de final. Para o clube boliviano, que ainda não pontuou nem marcou gols na fase de grupos, a situação já é de sobrevivência.
Bastidores: por que a Conmebol tirou o jogo da Bolívia?
A Conmebol tem exigências rígidas para que partidas da Libertadores sejam realizadas nos estádios dos clubes mandantes. Infraestrutura, logística de acesso para delegações internacionais e condições de transmissão estão entre os critérios avaliados.
O Estádio Municipal de El Alto, embora seja palco oficial do Always Ready na liga boliviana — onde o clube recebeu o Nacional Potosí no campeonato doméstico —, pode não atender a todos os padrões exigidos pela entidade sul-americana para determinadas rodadas da fase de grupos. A mudança para o Paraguai é um movimento que a Conmebol já adotou em outros casos envolvendo clubes bolivianos, garantindo condições operacionais adequadas para a competição.
Para o Mirassol, além da questão tática já explorada, há também ganho logístico: o acesso ao Paraguai é significativamente mais simples do que a altitude de El Alto — tanto para a delegação quanto para uma possível torcida brasileira de apoio.
Perguntas frequentes (FAQ)
Onde será o jogo Always Ready x Mirassol pela 5ª rodada?
A Conmebol transferiu o jogo, originalmente previsto para o Estádio Municipal de El Alto, na Bolívia, para o Paraguai. A mudança foi confirmada para a partida da 5ª rodada do Grupo G da Libertadores 2026, agendada para 20 de maio de 2026.
Qual é a situação do Mirassol no Grupo G da Libertadores 2026?
O Mirassol lidera o Grupo G com 9 pontos após quatro rodadas, incluindo vitórias sobre Lanús (1x0), Always Ready (2x0) e LDU (2x0), além de uma derrota para a LDU em Quito. É a primeira participação do clube na Copa Libertadores da América.
O Always Ready já venceu algum jogo fora da Bolívia em competições oficiais?
Não. O clube boliviano acumula um tabu histórico como visitante: em 18 jogos disputados fora da Bolívia em competições oficiais, nunca venceu — somando apenas cinco empates e 13 derrotas. Com a mudança de sede para o Paraguai, o Always Ready enfrenta o jogo contra o Mirassol sem seu maior trunfo: a altitude de El Alto.
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