Remo 2026: como o Leão montou elenco gastando quase nada
O Clube do Remo foi o time que mais contratou na Série A 2026 e, ainda assim, evitou gastos em 86% dos movimentos. Entenda a estratégia por trás do modelo.

Remo 2026: como o Leão montou elenco gastando quase nada
O Clube do Remo protagonizou um dos fenômenos mais curiosos da janela de transferências de 2026: foi o time que mais contratou em toda a Série A e, ao mesmo tempo, evitou desembolso direto na absoluta maioria dos movimentos. Números, estratégia e leitura tática — é isso que está por trás do modelo azulino.
O número que chama atenção
Recém-integrante da Série A, o Remo foi o time que mais contratou na janela inicial da temporada: 19 jogadores passaram a integrar o elenco. Depois, o volume total cresceu ainda mais. O Clube do Remo realizou 24 contratações para a Série A 2026, superando em número até gigantes da elite nacional.
O dado que está circulando nos bastidores é preciso: 86% dessas movimentações não geraram custo de aquisição para o clube. Empréstimos, atletas em fim de contrato e liberações gratuitas formaram a espinha dorsal do planejamento. A exceção mais significativa foi a contratação em definitivo do volante argentino Leonel Picco. O jogador pertencia ao Platense, com contrato vigente até dezembro de 2028, e chegou ao Baenão por meio de compra definitiva de seus direitos econômicos.
Para viabilizar a reformulação, o clube paraense investiu pouco mais de R$ 10 milhões, o maior valor já desembolsado em sua história para montagem de elenco. Impressionante em termos históricos para o Remo — mas irrisório no contexto da Série A. Apesar do investimento recorde dentro da realidade do futebol paraense, o montante ainda coloca o Remo entre os que menos gastaram na Série A em termos absolutos.
A filosofia por trás do modelo: inteligência antes de cheque
O arquiteto operacional desse planejamento foi o executivo Marcos Braz. O planejamento da temporada ganhou contornos mais claros com a apresentação pública das diretrizes conduzidas pelo executivo de futebol Marcos Braz, responsável por liderar a reconstrução do elenco e traçar o caminho do Leão Azul em seu retorno à elite do futebol brasileiro.
A diretoria foi transparente sobre as prioridades. Marcos Braz tem sido enfático ao afirmar que o Remo não entrará em disputas inflacionadas por nomes de peso. O resultado prático dessa postura foi um elenco montado majoritariamente com atletas liberados sem custo de transferência — peças em fim de vínculo, cedidos por outros clubes ou chegando de ligas estrangeiras sem multa rescisória.
A diretoria azulina adotou uma postura cautelosa no mercado, apostando em atletas com rodagem em Série A, experiência internacional e perfil competitivo, alinhados a um projeto esportivo que mira não apenas a permanência, mas também a consolidação do clube entre os grandes do país.
O perfil dos reforços: experiência com custo zero
O Remo não foi ao mercado atrás de nomes baratos — foi atrás de nomes livres e experientes. Há uma diferença enorme nisso do ponto de vista tático.
Yago Pikachu (33 anos): Um dos principais movimentos do Remo para 2026 foi o retorno de Yago Pikachu, natural de Belém. Revelado pelo Paysandu, o atleta construiu carreira sólida no Vasco e no Fortaleza, onde disputou competições continentais e Série A. No Leão, chega com status de referência técnica, capacidade de decisão e forte identificação com o futebol paraense.
Alef Manga (31 anos): O primeiro reforço confirmado após a contratação do treinador foi o atacante Alef Manga, vice-artilheiro da última Série B, recém-chegado do Avaí.
Zé Ricardo (volante): Para o meio-campo, o clube contratou o volante Zé Ricardo, de 26 anos. Revelado pelo Fluminense, o jogador passou por Tombense, Goiás e teve experiência recente no futebol japonês, defendendo Kawasaki Frontale e Shonan Bellmare.
Carlinhos (centroavante): O Remo acertou a chegada de Carlinhos, centroavante de 28 anos, emprestado pelo Flamengo.
João Lucas (lateral-direito): O destaque no setor defensivo é o lateral-direito João Lucas, de 27 anos. Com formação no Flamengo e passagens por Cuiabá, Santos, Juventude e Grêmio, o atleta chega para disputar posição e agregar consistência defensiva, além de apoiar o jogo ofensivo pelos lados.
Zé Welison (volante): Revelado pelo Vitória, Zé Welison acumula passagens por clubes como Atlético-MG, Botafogo e Sport. Chegou sem ônus de compra.
Rafael Monti (centroavante): O centroavante argentino Rafael Monti atuava no Vinotinto Fútbol Club, do Equador. Na edição da Série A equatoriana, o atacante somou nove gols e duas assistências em 14 partidas.
Leitura tática: o que Osório ganha com esse elenco
O técnico Juan Carlos Osório foi peça central na curadoria dos reforços. Entre os nomes confirmados, alguns foram indicações diretas do técnico Juan Carlos Osório, que comanda a equipe na pré-temporada.
Osório é conhecido por sistemas com alta pressão após perda de posse e uso intensivo do espaço entre linhas. O perfil dos volantes contratados reflete isso: Picco disputou 30 partidas na última temporada, sem gols ou assistências, mas se destacou pela forte marcação, intensidade física e poder de recuperação de bola. É exatamente o que um sistema de pressão alta demanda — um destruidor que não precisa ser criativo, apenas eficiente.
A dobradinha Picco + Zé Ricardo no meio funciona como bloqueio duplo contra equipes que tentam construir pelo centro — algo que o Remo vai enfrentar a cada rodada contra os grandes da Série A. Já Pikachu e Alef Manga pelos lados dão a velocidade de transição que Osório busca para sair rápido no contra-ataque.
O elefante na sala: a quilometragem
Montar um elenco sem gastar muito é inteligente. Mas o Remo tem um problema estrutural que dinheiro resolve e a falta dele complica. O Remo será o clube que mais viajará na Série A de 2026, com cerca de 95 mil quilômetros percorridos ao longo do campeonato, mais que o dobro da quilometragem de equipes do eixo Sul-Sudeste. A disparidade escancara um problema histórico para clubes do Norte e do Nordeste, com impacto direto no orçamento, na recuperação física dos atletas e no planejamento esportivo.
Esse fator pesa diretamente na definição do perfil do elenco e reforça a necessidade de jogadores com intensidade, fôlego e adaptação a longos deslocamentos. Contratar jogadores experientes e com passagens em Série A também ajuda aqui — esses atletas já conhecem o desgaste de um calendário longo e os impactos da logística.
Um recado para o Brasil: existe outro jeito
Embora tenha feito um investimento recorde em relação à realidade regional, o Remo está entre os clubes que menos gastaram na elite nacional. O cenário destaca a desigualdade econômica presente na Série A.
Mesmo assim, o Leão Azul chegou ao campeonato mais competitivo do país com um plantel numericamente maior que qualquer rival. A lição que o modelo remista deixa para o futebol brasileiro vai além dos números: é possível montar elenco competitivo sem entrar em leilão. Basta ter planejamento cedo, critério na escolha de perfis e um executivo que saiba onde estão os jogadores livres no mercado.
Além do Campeonato Paraense, Copa do Brasil e Copa Verde, o Remo tem como grande vitrine o Campeonato Brasileiro da Série A, competição que o clube volta a disputar com a força de sua tradição e de sua apaixonada torcida. O elenco foi montado para durar a temporada inteira — e o modelo financeiro foi a base que tornou isso possível.
Perguntas frequentes (FAQ)
O Remo realmente não gastou nada nas contratações de 2026?
Não exatamente. O clube investiu mais de R$ 10 milhões na janela — recorde histórico para os padrões azulinos. Porém, a grande maioria dos reforços chegou via empréstimo, fim de contrato ou liberação gratuita, sem custo de aquisição de direitos. A única compra definitiva de peso confirmada foi a do volante argentino Leonel Picco.
Quem é o técnico do Remo na Série A 2026?
O Clube do Remo é comandado pelo técnico argentino Juan Carlos Osório, contratado para liderar o projeto de estreia do clube na Série A. Osório participou diretamente da indicação de vários reforços contratados na janela.
Quantas contratações o Remo fez para a temporada 2026?
O Remo realizou ao todo 24 contratações para a temporada, liderando com folga o ranking de reforços entre os clubes da Série A 2026. A reformulação atingiu todos os setores do campo, com novos goleiros, defensores, meias e atacantes.
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