Brasileirão no EA FC 26: CBF negocia volta dos clubes
Samir Xaud confirmou que a CBF negocia com os clubes para licenciar o Brasileirão no EA Sports FC 26. Entenda os bastidores e os obstáculos do acordo.

Brasileirão no EA FC 26: CBF negocia retorno dos clubes ao game
A bola rolou fora dos gramados — e direto para os bastidores das negociações digitais. Na terça-feira (12), o presidente da CBF, Samir Xaud, confirmou em coletiva no estádio Beira-Rio que a entidade mantém conversas ativas para licenciar o Campeonato Brasileiro no EA Sports FC 26. A declaração acendeu a esperança de milhões de torcedores que há anos pedem o Brasileirão de volta ao principal simulador de futebol do mundo.
O movimento não surgiu do nada. É o próximo capítulo de uma estratégia que começou a ganhar forma no início de maio.
O ponto de partida: a Seleção voltou primeiro
A CBF e a Electronic Arts anunciaram no domingo, 3 de maio, uma nova parceria plurianual de licenciamento e marketing por meio do EA Sports FC. O anúncio ocorreu durante a Gamescom LATAM 2026, em São Paulo, e foi reforçado nas redes sociais da equipe nacional e da Electronic Arts.
Depois de três anos de ausência com licença completa, a Seleção Brasileira retorna ao jogo com uniformes oficiais, jogadores reais e rostos escaneados. Os conteúdos estarão disponíveis tanto no EA Sports FC 26 quanto no EA Sports FC Mobile.
Para a CBF, a estratégia foi intencional: primeiro resolver a Seleção, depois avançar sobre os clubes. "O nosso primeiro comando foi trazer a Seleção, mas posteriormente queremos colocar também nossa liga, colocar o Brasileirão junto. Só que essa é uma conversa mais ampla e envolve os clubes. A gente já está nesse contato direto, nessa conversa. Mas logo-logo a gente vai estar tendo outro posicionamento positivo em relação a isso. Porque a intenção também é de colocar a Liga dentro do EA Games", afirmou Samir Xaud.
Por que o Brasileirão sumiu do game?
A ausência não é recente — e tem explicação jurídica bem definida.
A EA Sports retirou o Brasileirão do FIFA 15, o que iniciou uma sequência de jogos sem a liga brasileira — com exceção da edição do FIFA 16. O motivo principal foi uma enxurrada de processos judiciais de atletas brasileiros por uso indevido de imagem.
O imbróglio de licenciamento se dá pela existência da Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), que obriga a EA Sports a negociar diretamente com a CBF para usar o nome do Brasileirão, com cada clube para reproduzir escudo, estádio e uniformes, além de cada atleta individualmente.
É um processo caro, demorado e fragmentado. Enquanto isso, a concorrente Konami foi mais ágil: a franquia eFootball fechou um acordo com a CBF em fevereiro para o retorno oficial da Série A do Campeonato Brasileiro licenciado aos videogames, com times, jogadores e até o troféu.
O que mudou nos bastidores: FENAPAF e FIFPRO
Um movimento silencioso, ocorrido na primeira semana de maio, pode ser o verdadeiro divisor de águas para o licenciamento coletivo.
A possível volta dos clubes brasileiros totalmente licenciados à franquia EA Sports FC ganhou um novo capítulo: a Federação Nacional dos Atletas de Futebol Profissional (Fenapaf) oficializou sua reintegração à Federação Internacional de Atletas Profissionais (FIFPRO), entidade global que representa sindicatos de atletas e possui relação histórica com o licenciamento coletivo de jogadores em jogos de futebol.
Na prática, isso pode mudar o jogo. A reaproximação da Fenapaf com a FIFPRO permite que negociações sejam feitas diretamente entre as federações, evitando acordos individuais com cada jogador — o que pode acelerar a liberação dos direitos de imagem e a inclusão dos elencos brasileiros com nomes reais no game.
O presidente da Fenapaf reforçou o clima positivo nas tratativas: "Existe, sim, um otimismo em relação aos próximos passos, sempre com responsabilidade e entendendo que temas como esse dependem de alinhamento entre diversas partes. O mais importante é que hoje há um ambiente mais aberto para conversa, e isso já representa um avanço muito significativo."
O que a CBF precisa resolver com os clubes
Mesmo com o clima favorável, a estrada até o Brasileirão completo no EA FC 26 ainda tem obstáculos.
A dificuldade histórica do licenciamento esbarra na legislação desportiva atual, que obriga a produtora a negociar os direitos de imagem de forma individual com cada clube. Para contornar esse obstáculo jurídico, a CBF busca costurar um acordo coletivo direto com as diretorias envolvidas. O objetivo inicial é unificar os direitos das equipes da Série A, oferecendo um pacote completo para o principal jogo de futebol do mercado.
A CBF está trabalhando para trazer a liga completa de volta ao EA Sports FC e já está em discussões com os clubes, com esperança de compartilhar notícias positivas no futuro.
Ainda pesa no cenário o fato de que atualmente os clubes brasileiros estão presentes no jogo com escudos e uniformes licenciados, mas com jogadores genéricos. Não é possível jogar com esses clubes no modo carreira e modo jogador, estando disponíveis apenas para modos como "jogo rápido" e "torneios". Uma limitação frustrante para quem quer montar o Flamengo com Gerson e Pedro no Modo Carreira.
O peso estratégico: Copa do Mundo e geração digital
O timing de toda essa movimentação não é coincidência. O retorno acontece justamente em ano de Copa do Mundo, algo visto como estratégico pela EA Sports para ampliar a presença da franquia entre os torcedores brasileiros.
Do lado da CBF, a visão vai além do comercial. O impacto é visto como estrutural para a formação de novos torcedores e jogadores. Bernardo Bessa, diretor de marketing da entidade, destaca a lacuna criada nos últimos anos: "Como é que alguém vai ter paixão pela seleção se ela não está presente?" Para ele, o videogame virou o primeiro ponto de contato com o futebol para uma geração inteira.
Nos bastidores da Gamescom LATAM 2026, o movimento aparece diretamente ligado ao crescimento da base dos e-sports, especialmente entre jogadores que constroem sua relação com o futebol dentro do videogame.
A reação da comunidade nas redes sociais reforça a pressão: a cobrança pelos clubes apareceu como ponto dominante nos comentários, com usuários escrevendo "E o Brasileirão licenciado, nada…"
O que esperar nos próximos meses
Por ora, a Seleção Brasileira retorna ao EA FC 26 com licença completa. O Brasileirão, por sua vez, segue em negociação — mas com sinais mais concretos do que qualquer momento dos últimos dez anos.
A EA não divulgou quais conteúdos da CBF virão além da Seleção, prometendo novidades nos próximos meses. A janela de Copa do Mundo pode ser o gatilho para um anúncio definitivo sobre os clubes.
O torcedor brasileiro que joga EA FC desde o tempo do FIFA sabe que a espera é longa. Mas raramente os astros estiveram tão alinhados: CBF engajada, FENAPAF na FIFPRO, EA com interesse estratégico no Brasil e um Mundial em 2026 para impulsionar tudo. O Brasileirão de volta ao game parece, finalmente, uma questão de quando — não de se.
Perguntas frequentes (FAQ)
O Brasileirão já está confirmado no EA Sports FC 26?
Ainda não. Samir Xaud, presidente da CBF, confirmou que negociações para trazer o Brasileirão ao EA Sports FC estão em andamento, mas sem data ou confirmação oficial de fechamento do acordo.
A Seleção Brasileira já está disponível no EA FC 26?
Ainda não há uma data exata para a Seleção chegar ao EA FC 26, mas a expectativa é de que isso aconteça nos próximos meses. O anúncio da parceria foi feito, mas os conteúdos ainda estão sendo implementados.
Por que o Brasileirão saiu do FIFA/EA FC?
O Brasileirão foi removido da franquia em meados dos anos 2010 por causa de problemas com os direitos de imagem dos jogadores. A Lei Pelé exige negociação individual com cada atleta, tornando o processo extremamente complexo para a EA Sports.
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