Hexa: Brahma usa ceticismo para reacender fé do Brasil
Campanha "Tá Liberado Acreditar" transforma o ceticismo do torcedor em combustível. Veja a análise do filme, do contexto tático e do Brasil na Copa 2026.

Tá Liberado Acreditar: o Brasil ainda pode sonhar com o Hexa?
Uma campanha que começa admitindo a dúvida. Esse é o movimento que a Brahma trouxe para a véspera da Copa do Mundo 2026 — e acertou em cheio no nervo exposto do torcedor brasileiro.
O filme que disse o que a torcida sentia, mas ninguém queria falar
A Brahma lançou o movimento "Tá Liberado Acreditar" como parte de sua estratégia para a Copa do Mundo FIFA, em um momento de baixa confiança dos brasileiros no hexa da Seleção Brasileira.
A sacada criativa não está no otimismo fácil, aquele que toda marca de Copa tende a entregar com confete e narração empolgada. A campanha não parte de um lugar de otimismo imediato — reconhece o ceticismo antes de apresentar a mensagem central.
Criado pela Africa Creative, o filme que sustenta a campanha parte do cenário atual, marcado por 24 anos sem títulos mundiais, para reconstruir a narrativa de fé no futebol brasileiro. Ambientado no centro do Rio de Janeiro, o curta contrapõe o pessimismo de parte da torcida à paixão persistente que historicamente acompanha a camisa amarela.
A peça começa com dois torcedores conversando e um deles dizendo que "não se ilude mais" com a Seleção. Depois de ler uma notícia no jornal de que "ninguém está acreditando" no hexa, um dos rapazes faz uma bola de papel com o jornal e dá início a um movimento gigante que contagia todos ao redor e se espalha.
É narrativa simples, com força simbólica certeira: a dúvida como ponto de partida, e não como obstáculo.
Os números por trás da desconfiança
Não é exagero dramático. Os dados são reais e pesam.
Pesquisas Datafolha e Quaest indicam que apenas 3 em cada 10 brasileiros acreditam em um título, o menor nível em décadas, com 24 anos sem conquista.
Esse é o contexto que a campanha escolheu enfrentar de frente. A frase "Tá liberado acreditar" funciona como frase porque primeiro o filme validou o direito de não acreditar. É uma inversão elegante: ao reconhecer o ceticismo, a marca cria permissão emocional para o torcedor voltar a torcer sem se sentir ingênuo.
Ancelotti e Ronaldo: o elo entre gerações
O filme reúne Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, e Ronaldo Nazário, último campeão mundial com o Brasil e criador do gesto do "número 1", utilizado como símbolo da campanha. A presença dos dois funciona como um elo entre diferentes gerações do futebol brasileiro e reforça o discurso de legitimidade da ação.
A escolha é cirúrgica do ponto de vista simbólico. Ronaldo representa a última vez que o Brasil levantou a taça — 2002, no Japão e Coreia do Sul. Ancelotti representa o presente: Carlo Ancelotti está no cargo desde maio de 2025 e é o primeiro estrangeiro a comandar a Seleção.
Reforçando o mote "Tá Liberado Acreditar", a campanha recria jogadas marcantes dos títulos do Brasil no torneio, realizadas por cidadãos comuns no meio da cidade. Entre os lances relembrados estão Romário desviando de uma falta cobrada por Branco em 1994 e os gols de Carlos Alberto Torres e Ronaldinho Gaúcho nas Copas de 1970 e 2002, respectivamente. O pênalti perdido pelo italiano Roberto Baggio também foi retratado.
É o passado servindo de argumento para o futuro. E o argumento é forte: se o Brasil já venceu as probabilidades cinco vezes, está liberado acreditar de novo.
O ciclo turbulento que explica a desconfiança
A campanha não surgiu do nada. Há contexto tático e histórico que justifica cada ponto percentual de ceticismo.
A Seleção Brasileira encerrou o ciclo preparatório para a Copa do Mundo de 2026 após a vitória por 3 x 1 contra a Croácia. O período foi marcado por instabilidade, mudanças constantes e uma longa fase de testes em busca de uma equipe ideal.
O ciclo teve quatro técnicos: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e, atualmente, Carlo Ancelotti. Ao longo de pouco mais de três anos, a seleção conviveu com oscilações técnicas e dificuldade para manter uma base. A falta de continuidade no comando e a alta rotatividade de jogadores impediram a consolidação de um padrão de jogo.
O Brasil terminou em quinto lugar nas Eliminatórias, somou 28 pontos e registrou sua pior campanha histórica no formato de pontos corridos. A derrota por 4 a 1 para a Argentina no Monumental de Núñez tornou-se a pior da história da Seleção Brasileira em Eliminatórias para a Copa do Mundo.
Esse conjunto de resultados é o que transformou o torcedor brasileiro em alguém que "não se ilude mais". O filme da Brahma não ignorou isso — abraçou.
O caminho de Ancelotti: pragmatismo como sistema de jogo
Do ponto de vista tático, a chegada de Ancelotti ao comando representa uma mudança de filosofia. Longe de dogmas rígidos, Ancelotti é o mestre do pragmatismo. Suas equipes se adaptam às fraquezas do adversário, priorizando verticalidade letal e uma estrutura defensiva que protege as estrelas do ataque.
Conhecido como "paizão" exigente, sua capacidade de gerir egos e manter o vestiário blindado é considerada a melhor do mundo, fator crucial para um torneio de tiro curto como a Copa.
Para um grupo com talentos individuais de alto nível — Vinicius Jr., Raphinha, Bruno Guimarães —, esse perfil de gestão pode ser o ingrediente que faltou nos últimos ciclos. O problema não era necessariamente falta de qualidade. Era falta de equilíbrio emocional e leitura de jogo coletiva nos momentos decisivos.
Sob o comando de Carlo Ancelotti, o Brasil se destaca entre as dez melhores seleções do ranking da FIFA pela maior rotatividade de elenco: desde o fim do último Mundial, mais de 80 atletas foram convocados, mostrando a busca por uma equipe equilibrada e competitiva.
O grupo C e o caminho ao hexa
O sorteio das chaves colocou a seleção brasileira no Grupo C, ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. Com isso, o Brasil vai jogar nas cidades de Nova York/Nova Jersey, Filadélfia e Miami.
A Copa do Mundo será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026 nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
A convocação está próxima: a lista da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026 acontecerá no dia 18 de maio, a partir das 17h. Na ocasião, o técnico Carlo Ancelotti fará a leitura da lista com o nome dos 26 convocados.
O que a campanha diz sobre o Brasil além do futebol
Para além de reforçar a presença da Ambev em uma Copa com mais ocasiões de consumo dentro e fora de campo, a campanha acessa um território mais profundo: o do acreditar. Porque, se por um lado o torcedor questiona, critica e duvida, por outro mantém superstições e uma relação emocional única com a camisa amarela.
O filme explora a relação contraditória do brasileiro com a Seleção: ao mesmo tempo em que critica e duvida, mantém rituais, superstições e vínculos emocionais ligados à camisa amarela.
Essa contradição não é fraqueza. É a definição mais precisa do que é ser torcedor brasileiro. E é exatamente aí que o movimento "Tá Liberado Acreditar" encontra seu maior mérito: ele não vende ilusão. Ele valida a ferida e depois aponta para a saída.
A iniciativa faz parte de uma estratégia multiplataforma, com desdobramentos previstos em diferentes canais para ampliar o alcance. O filme será exibido nas redes sociais da marca e também em versão integral na programação da TV Globo, em horário nobre.
O Brasil vai à Copa carregando cicatrizes de um ciclo difícil. Mas vai. E a partir de 11 de junho, cada jogo é uma nova folha em branco. Tá liberado acreditar — mas com os olhos abertos.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quando começa a Copa do Mundo 2026?
O Mundial terá início no dia 11 de junho de 2026 e o campeonato será realizado no Canadá, México e EUA. A grande final está marcada para 19 de julho, no Estádio de Nova York.
Quem é o técnico da Seleção Brasileira na Copa 2026?
Carlo Ancelotti está no cargo desde maio de 2025 e é o primeiro estrangeiro a comandar a Seleção Brasileira. O italiano acumula cinco títulos da Champions League no currículo.
Em qual grupo o Brasil está na Copa do Mundo 2026?
O sorteio das chaves colocou a seleção brasileira no Grupo C, ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. A estreia será em Nova York/Nova Jersey.
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